Confissão

É impressionante o que ela faz comigo.

Primeiro, apenas alguns sussurros. 

Depois, com o passar do tempo, uns sons a mais. Mesmo não entendendo muita coisa, me apaixonei logo de cara. Ela estava ali, presente, eu a sentia; mas nada entendia.

Aqueles primeiros sussurros, como um assobio materno, me levaram pra longe, bem longe.

Com o passar do tempo fui me acostumando com o que via e ouvia sem muita pretensão. Ficava tentando encontrar alguma resposta, querendo saber se aquilo era mesmo genuíno, se era aquilo mesmo que encantava a todos mas não tanto a mim.

Pagava pra ver, embora me sentisse lisonjeado de estar ali, escutando coisas tão lindas. 

Queria mais, mas não queria muito, pois tinha medo de não entender tudo o que me proporcionava. Dá pra entender?

O tempo foi passando e ela foi ficando cada vez mais presente. Senti que ela era dona do meu humor, dos meus pensamentos, do meu organismo...do meu entendimento. 

O que me lembro é daquilo, desde sempre, me levar além, mesmo com todas as dúvidas advindas de um não-entendimento genuíno, aquele que a beleza proporciona em um primeiro momento de deslumbramento.

Isso foi aos 13, época do rock, rebelde, grunge.

Aos 21 fui ficando cada vez mais "na dela". Até festa eu fazia, já me acostumando com as novas maneiras de se fazer, de se criar, de se dançar. Dançava com ela, de diversas maneiras, junto, separado. Um caso de amor...e de amizade, me tornando cada dia mais ciente de que eu estava crescendo, envelhecendo, da melhor maneira, ou seja, mais curioso, com o gosto mais apurado.

Hoje, sou um soldado: o que ela me oferece, o que ela me proporciona, eu aceito. 

É paixão, não posso negar. 

Ela é quase tudo na minha vida, ela é meu hobby, ela é minha inspiração, ela é meu regozijo. 

Ela é meus amigos, minha família, minhas idéias.

Sem ela, a música, eu nada seria.

2 comentários:

tiago pantaleão dijo...

eu tb não!

ela é a sua mulher e minha amante
hauhauhauhauhauhauhauhauha

zakia dijo...

Adorei!!
grande cronista!!!