Até na Espanha



Hoje assisti a corrida de Mônaco e, no final, Barrichelo, depois de uma corrida cheia de acidentes e abandonos, conquistou 1 ponto suado, depois de um ano e meio sem marcar.

Depois da linha de chegada, o narrador, entusiasmadíssimo, vibra com o "sucesso" de Barrichelo:

- Sonen las trombetas, los cannones, fiesta, fiesta, después de mucho tiempo Barrichelo gana 1 punto. Debe estar tan feliz cuanto el ganador, Lewis Hamilton.

Até aqui zoam o cara. ;)

Madrid y Universidad Complutense







Dados

Lendo sobre possibilidade de negócios em países em desenvolvimento, comecei a procurar dados acerca de um conceito denominado "capital morto" por um grande autor do desenvolvimento, chamado Hernando de Soto.

"Capital morto" consiste em propriedades não regularizadas em países pobres, que poderiam ser usadas para conseguir um crédito, vender para conseguir um capital, entre outras coisas que se pode fazer com uma propriedade registrada. Ou seja, você tem o capital mas não o possui nem pode fazer nada com ele.

Números:
Na África contabiliza-se 1 trilhão de dólares em capital morto (3 vezes o PIB de todo o continente).
No mundo todo contabiliza-se 9 trilhões.

Tudo isso porque não existe um mísero sistema de registro de direitos de propriedade nesses países.

Imagina toda essa grana sendo usada para produzir.

Embaçado, não?

Fonte: Hernando de Soto, The mystery of capital: why capitalism triumphs in the West and fails everywhere else (New York: Basic Books, 2000), 35-7

Rodolfo Chikilicuatre

Todos os anos, desde meados da década de 1960, um festival de música inter-países, chamado Eurovision, é realizado na Europa.

Todos os países indicam seus representantes depois de acirrada disputa pela TV, onde os telespectadores participam da escolha de seu artista preferido.

Esse ano, depois de muita polêmica e gritos dos puristas, a Espanha elegeu a Rodolfo Chikilicuatre, criação do ator David Fernandéz, que concorreu com a música Baila el Chiki-Chiki.

Até agora é a música mais acessada no site do Eurovision, fazendo com que os espanhóis tenham fé novamente em seu participante, muito carismático, um personagem. Está em vários programas de TV, falado por todos, cantado pelas crianças...etc!

Com o aumento do número de membros na União Européia também aumentou o número de concorrentes a esse que é o maior evento cultural paneuropeu, aproximando as diferentes nacionalidades e culturas. Um bom exemplo de convivência vecinal.

O festival é bem "água-com açúcar" e, convenhamos, de gosto duvidoso e, mesmo assim, a Espanha não consegue ganhar com seu flamenco nem com outras tentativas mais ao "gosto" do festival.

Dessa vez vão tentar ganhar com um personagem que tem um topete enorme, uma guitarra de brinquedo e um sotaque argentino postiço.

Uma atitude meio "vamos mandar o mais piada porque gostamos". E não é que pode dar certo?

Bem que poderia haver um festival desse na América, não?

Podem falar mal, mas que isso une os países e é gostoso torcer por seu representante isso é.

Eu vou torcer pela Espanha.

Abaixo o vídeo de Rodolfo Chikilicuatre e seu "Baila el Chiki Chiki".

Uma figura!

Da série: boas propagandas espanholas

Campanha AMIGO, da operadora de celular Movistar.

Muito engraçado.

Tom Zé

Pensando no post abaixo, sobre as mulheres no governo espanhol, me lembrei do disco "Estudando o pagode: na opereta segrega mulher e amor", do Tom Zé, que é uma opereta sobre discriminação da mulher.

O disco todo é sobre esse tema, da violência de gênero, estética. E tem uma música que gosto muito, que abaixo reproduzo:

Mulher Navio Negreiro

Composição: Tom zé

Mulher – Divino Luxo – Navio Negreiro

O macho pela vida
Se valida
A molestar a mulher
Se diverte.

Apavorada,
Ela, que se péla,
Pouco pára de pé,
E padece.

Quando ele pia, pia, pia,
Pra inibir na mulher o animal,
Talvez eu ria, ria, ria,
Vendo ele transar uma boneca de pau,
Com seu incubado,
Calado, colado, pirado pavor
Do segredo sagrado.

Por isto existe no mundo
Um escravo chamado

Mulher – Divino Luxo – Navio Negreiro
Graal – Puro Cristal – Desespero
Rosa-robô – Cachorrinho – Tesouro,
Ninguém suspeita dor neste ideal,
A dor ninguém suspeita imperial.

Eucaristia – Ascensão – Desgraça,
Filé-mignon – Púbis, Traseiro – Alcatra,
Banca de Revista – Açougue Informal – Plena Praça,
Ninguém suspeita dor neste ideal,
A dor ninguém suspeita imperial.

Mulheres no comando

Depois de tomar posse no cargo de primeiro-ministro, José Luiz Rodrigues Zapatero, o chefe de governo espanhol, tomou uma decisão carregada de simbolísmos em um país abertamente machista, com taxas altíssimas de violência contra a mulher.

Nomeou 9 mulheres e 8 homens para os cargos ministeriais de seu governo, num ato bastante criticado e discutido por todos os meios de comunicação espanhóis. Uns criticam dizendo que o gênero foi colocado acima da competência e outros elogiam dizendo que foi um ato corajoso.

O importante, na minha opinião, é a mescla. Todas elas já provaram ser líderes em seus campos de atuação e preparadas para o cargo. E, além do mais, acho que é muito importante inserir as mulheres em postos os mais diversos, num processo de empoderamento de gênero muito importante, que já devia ter sido feito há mais tempo.

Agora, outro ponto forte de discórdia é a nomeação da Ministra da Defesa. Mulher, grávida e com histórico nacionalista catalão bastante reconhecido e questionado pelos espanhóis. Uns se deleitaram vendo ela tomar posse hoje e dizendo:

- ¡Viva España! ¡Viva el Rey!

Outros ficaram estupefatos ao verem uma "inimiga" tomar conta das armas nacionais.

Foto do primeiro-ministro com as ministras:

Vídeo da Ministra da Defesa, Carme Chácon, grávida de 7 meses, tomando posse no cargo.


Parabéns Zapatero.

Uma boa oportunidade para os espanhóis perceberem que nacionalismos e machismos não levam a nada.