Joke



For brazilians! :)

Venda de originais!

Aí pessoal,

Quem é fã do Adão Iturrusgarai agora pode ter um de seus quadrinhos bem em cima de sua escrivaninha. O mesmo está vendendo os originais de vários de seus quadrinhos publicados na Folha, internet, etc.

Caso tenham interesse, entrem no blog "daquele capitalista selvagem e ajudem-no a expandir o seu império, que já tem tentáculos em mais de 450 países", segundo o mesmo.

Adão - Venda de originais.


Se tiver sem grana pode entrar assim mesmo e dar uma olhada grátis!

Presente bom de receber esse, viu. ;)

Fernando Pessoa


Tudo são Maneiras de Ver

Onde você vê um obstáculo
Alguém vê o término da viagem
E o outro vê uma chance de crescer.

Onde você vê um motivo pra se irritar,
Alguém vê a tragédia total
E o outro vê uma prova para sua paciência.

Onde você vê a morte,
Alguém vê o fim
E o outro vê o começo de uma nova etapa.

Onde você vê a fortuna,
Alguém vê a riqueza material
E o outro pode encontrar por trás de tudo, a dor e a miséria total.

Onde você vê a teimosia
Alguém vê a ignorância,
Um outro compreende as limitações do companheiro, percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo e que é inútil querer apressar o passo do outro, a não ser que ele deseje isso.

Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar.

Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura.

Fernando Pessoa

Paulo Leminski

Linguagem


Esse cara é poeta!


se
nem
for
terra

se
trans
for
mar

Paulo Leminski

Caminhante Noturno - Mutantes


No chão de asfalto
Ecos, um sapato
Pisa o silêncio caminhante noturno
Fúria de ter nas suas mãos dedos finos de alguém
A apertar, a sonhar...

Vai caminhante
Antes do dia nascer
Vai caminhante
Antes da noite morrer
Vai caminhante

Luzes, câmera
Canção, que horas são?
Sombra na esquina
Alguém, Maria

Sente a pulsar um amor musculoso
Vai encontrar esta noite o amor
Sem pagar, sem falar, sem sonhar

Vai caminhante
Antes do dia nascer
Vai caminhante
Antes da noite morrer
Vai caminhante

No chão, vê folhas
Secas de jornal
Sombra na esquina
Alguém, Maria

Pisa o silêncio caminhante noturno
Foge do amor
Que a noite lhe deu sem cobrar,
Sem falar, sem sonhar

Vai caminhante...

Contracultura!

Nos anos 1960 todos os nossos tropos contraculturais ocuparam as ruas em alto e bom som ao mesmo tempo. Parecia que alguma espécie de prisão psíquica tinha sido aberta e todos os jovens estavam tentando escapar de lá. Maior liberdade para os indíviduos em pensamento, expressão e comportamento entraram em atrito - e tentaram se fundir - com uma crescente sensação de responsabilidade coletiva pelo fim da guerra, da pobreza e da injustiça. Os ideais libertários do Iluminismo colidiam com a busca poética dos românticos de contato humano mais profundo, experiência e libertação da alma, dando luz a movimentos culturais e políticos baseados no desejo de criar uma sociedade que fosse ao mesmo tempo humana e arrebatadora...Agora!

No limite dessa explosão contracultural as exigências de liberdade no corpo do indivíduo (e, por extensão, em sua mente). Não apenas os indivíduos conscientes têm o direito de usar em seus corpos o que e quem quiserem, como os corpos não devem se estorvados por roupas desnecessárias. Correntes antimaterialistas despertadas por movimentos como o transcedentalismo e os beats se transformaram em uma tentativa de viver no agora eterno, como se controles burocráticos, regras de propriedade e a suposta necessidade de vender o tempo para ganhar a vida fossem apenas cansativas barricadas a serem ignoradas, ao redor das quais dançar e depois, finalmente, serem derrubadas. Como escreveu Richard Miller, tudo dizia respeito à "liberdade, significando ausência de controle emocional, cultural e mesmo biológico. (...) Essa idéia (...) é Autonomia."

Ken Goffman, in Contracultura através dos tempos, do mito de Prometheu à cultura digital, 2004. Ed. Ediouro

Lula e Obama

Podem criticá-lo.

Podem difamá-lo.

Mas ele arranca suspiros pelo mundo.

E eu acho isso muito legal e merecedor, diante do papel exercido pelo Brasil em foros internacionais os mais diversos no governo atual. Exceto no caso do genocídio no Sudão, mas isso é assunto para outro post.

Abaixo, Obama e Lula.



Análise.

Atualização em 04/04: Passo a vocês a perfeita análise de Clóvis Rossi sobre o fato acima. Diz tudo. Bingo!

Brasil não é nem vira-lata nem rottweiler

País não depende de afago de Obama ou de quem quer que seja para se sentir importante, mas também não tem a vocação de ferocidade indispensável para comandar a matilha

Bay Ismoyo - 02.abr.09/Folha Imagem

Manifestantes com máscaras de Obama e de Lula durante protesto na Indonésia contra a reunião do G20, realizada em Londres

CLÓVIS ROSSI
ENVIADO ESPECIAL A LONDRES

Se estivesse vivo, Nélson Rodrigues babaria de ódio ao ver que o complexo de vira-lata que ele atribuía aos brasileiros saiu em bloco aos salões depois que o presidente Barack Obama saudou Luiz Inácio Lula da Silva como "my man" e o apontou como o presidente mais popular do mundo. O tratamento dado ao episódio por uma parte da mídia passa a impressão de que Lula só se tornou popular porque Obama disse que Lula é popular -e os microfones da BBC pegaram.
Mais fantástica é a ideia de que Obama ungiu, com o gesto, o novo líder global, na figura de Lula.
O próprio Lula, na entrevista coletiva que concedeu horas depois do episódio, pôs as coisas no seu devido e correto contexto:
1) Foi uma "brincadeira", brincadeira facilitada pelo fato de que Lula "trata as pessoas muito bem" e vê os presidentes como "companheiros" tanto ou mais do que como presidentes.
É fato. Lula é cordial com todos, de direita e de esquerda, ricos e pobres, a ponto de ter conseguido a proeza de ser chamado de "meu amigo" por George Walker Bush e de "my man" por seu antípoda Barack Obama.
2) Essa história de liderança é "uma bobagem teórica", sempre segundo Lula, para quem "todos [os países] querem ser líderes e ninguém passa o bastão para ninguém". Bingo.
Contexto explicado diretamente pelo personagem central da história, convém deixar claro que Lula é, sim, uma personalidade mundial, uma espécie de pop star, antes e acima de tudo por sua história de vida.
De alguma forma, é até melhor que a de Obama, cuja eleição causou tanta excitação no planeta. Afinal, Obama tem diploma universitário -e de universidade de grife-, exigência não escrita para ser presidente em qualquer lugar do mundo. Lula não tem, mas seu governo não passa vergonha diante dos doutores que o antecederam (aliás, escrevi algo parecido muito antes de Lula se eleger ou de ter chances reais de ganhar).
O prestígio de Lula se deve também a ter se convertido ao credo hegemônico no planeta. Só é aceito nos salões do homem branco e de olhos azuis porque assina textos como o do G20 que diz: "A única base segura para uma globalização sustentável e crescente prosperidade para todos é uma economia aberta baseada em princípios de mercado, regulação efetiva e instituições globais fortes".
O venezuelano Hugo Chávez não assinaria algo parecido. Não é convidado para os salões que Lula frequenta, mas Lula é convidado para os salões que Chávez frequenta porque não tem preconceitos ideológicos. Nem cria caso.
Popularidade e aceitação não se confundem, no entanto, com liderança. Para ficar apenas no âmbito do G20, o próprio Lula disse que, em seu discurso aos "companheiros" presidentes, apenas pedira que os países ricos resolvessem a sua crise.
Não ofereceu, portanto, nenhuma luz, não abriu caminhos que os outros devessem seguir, como fazem os líderes.
Mesmo o Barack Obama que o tratou como "my man", no exercício de humildade que foi a sua entrevista coletiva após a cúpula do G20, não citou o Brasil entre as potências que estão surgindo ou se consolidando. Mas citou a Europa, a China e a Índia.
Nem é culpa de Lula, no caso. É culpa do país que ele representa, ainda pobre, além de profundamente desigual.
O Brasil é o quinto mais pobre do G20, à frente apenas de China, Índia, Indonésia e África do Sul.
Não quer dizer, no entanto, que o papel do Brasil seja irrelevante ou secundário. Ao contrário, foi ativíssimo, ainda mais pela coincidência de ter sido o presidente de turno do G20 até o ano passado. Por isso, os grupos de trabalho criados após a cúpula de Washington para preparar a de Londres foram comandados pela "troika": os co-presidentes eram um brasileiro, um sul-coreano, que terá a presidência no ano que vem, e um britânico, que preside o conglomerado em 2009.

Posições brasileiras
De modo geral, aliás, as posições brasileiras acabaram contempladas no texto final: mais regulação/supervisão, enfrentamento dos paraísos fiscais, mais recursos para o FMI -todas essas eram posições brasileiras. Mas foram também empurradas por grandes potências (França e Alemanha, em especial, no caso da regulação e dos paraísos fiscais).
Nem entre os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China, as potências mundiais até 2050, segundo uma empresa de investimentos) o Brasil consegue impor posições. Na véspera da reunião de ministros da Fazenda e presidentes de bancos centrais do G20, há três semanas, o ministro Guido Mantega defendeu, em encontro dos Brics, que o grupo deveria apoiar a estatização dos bancos. A tese foi derrotada e não apareceu nem no documento dos Brics nem nos textos finais dos ministros nem dos chefes de governo.
Tudo somado, fica claro que o Brasil não é mais vira-lata e, portanto, não depende de um afago de Obama ou de quem quer que seja para se sentir importante, mas também não é um rottweiler -nem tem a vocação de ferocidade indispensável para comandar a matilha.


CLÓVIS ROSSI , colunista da Folha , cobre viagens presidenciais ao exterior desde que o general Ernesto Geisel visitou França e Inglaterra em 1976, há 33 anos, portanto.